Canto Cego e Caru lançam versão rock do clássico samba “Tô Voltando”

Canto Cego e Caru por Diego Silvério Fernandes

Não tem momento mais oportuno do que esse: o retorno do Toca acontecer junto com o lançamento da música “Tô Voltando”. 

A banda carioca Canto Cego e a cantora baiana Caru criaram uma versão rock – e bem forte – do clássico do samba, composto em 1979 por Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro. 
Caru explicou como chegou a inspiração e ideia da parceria: 

“Durante a pandemia, eu, assim como muitos artistas, me vi completamente perdida, artisticamente perdida. Um ímpeto/ansiedade criativa me consumiam e ao passo que eu produzia incansavelmente, pensava que nada iria dar conta do vazio que a imensidão de dor que o mundo estava/está vivendo. Então parei. Olhei pra dentro e mergulhei em mim, na minha baianidade repleta de histórias. Sai das redes e senti. Foi depois de um tempo me escutando que me lembrei da canção ‘Tô Voltando’ e imediatamente tive a certeza que eu precisava voltar, mas não sozinha. Uma das regravações que eu mais amo é também um samba, ‘Zé do caroço’ da Banda Canto Cego. Peguei o telefone e mandei um áudio pra Roberta: ‘Tenho uma ideia, bora voltar pro estúdio? Ela conversou com a Banda, eles toparam e estamos voltando”.

Caru

A clássica canção “Tô Voltando” aborda sobre a saudade, o retorno ao conforto do lar, reencontro, intimidade e os pequenos prazeres da vida cotidiana. Escrita em 1979 e tão atual neste cenário que vivemos. 

Um breve contexto sobre a época: Em 1979, o samba ganhou novas dimensões e entrou para a história ao ser cantado na recepção dos exilados políticos que retornavam ao país após anos de exílio durante a ditadura. “Tô Voltando” se tornou um símbolo do Movimento pela Anistia e da luta democrática que ecoa até os dias de hoje. Nada mais justo do que ganhar uma nova roupagem, com muita honra, força e respeito e nos lembrando também de como o presente pode repetir o passado. (Caso não tenha ficado claro o alerta, está devidamente lembrado). 

A nova versão arrepia do começo ao fim! O rock marca presença sem deixar os elementos do samba. A melodia está incrível com instrumental maravilhoso, com riffs marcadíssimos do Rodrigo Solidade na guitarra e Magrão Kovok no baixo e Ruth Rosa mandando com pressão na bateria. A potência vocal e beeem deliciosa de ouvir  de Roberta Dittz e Caru. Espetáculo! 

“Em pleno 2021 vemos a nossa democracia sendo seriamente ameaçada por um governo que exalta os anos de ditadura e seus feitos cruéis e autoritários. Além disso, vivemos uma pandemia mundial que nos isolou do contato com os nossos, ressignificando a potência dos encontros e da troca de afetos. Com a proximidade de um novo processo eleitoral e a crescente resposta das ruas ao atual governo, surge a esperança de reafirmarmos as nossas raízes democráticas, ao mesmo tempo em que os avanços no combate à pandemia nos dão o vislumbre de um retorno ao convívio social e ao abraço dos amigos”, destacam eles

Quero aproveitar para contar um pouco mais sobre os artistas. A Canto Cego, que veio da Maré e tem como uma das características mais marcantes a união do rock com a poesia. Inclusive, a banda possui uma incrível presença no palco. Tive a oportunidade de fotografá-los e de produzir eventos com a banda.  Estes são os prêmios que a Canto Cego ganhou ao longo dos anos: Nova Música Brasileira (2012) e Planeta Rock (2014), com participação em festivais como Webfestvalda (2012/2013), Montreux Jazz Festival (2015), Ponto CE (2017), Rio2C (2018), Porão do Rock (2019), SIM São Paulo (2019) e Rock in Rio, como headline do Espaço Favela (2019).

Um tempo atrás, a banda lançou uma versão rock do samba “Zé do Caroço” foi trilha sonora de Malhação (2020) e a música autoral “A Fúria” é trilha da série Rotas do Ódio (Universal Channel). Sem contar que teve a participação da própria Leci Brandão no clipe. Inclusive, aproveitem o recado para ouvir o disco “Valente”, gravado na  Toca do Bandido,  produzido por Felipe Rodarte e mixado por Pedro Garcia. O disco possui também as músicas autorais “Eu não sei dizer” e “O dono da ordem” em parceria com o saudoso Marcelo Yuka.

Caru, é de Feira de Santana (BA) e já residiu mundo afora. É cantora, compositora, diretora artística, arquiteta, urbanista, cenógrafa e nômade. Já trabalhou com diversos nomes da música brasileira como Kassin, Paulo Mutti, Felipe Guedes, Julia Branco, Jadsa, Juliana Linhares, Alberto Continentino, Adam Esteves, Diogo Strausz e Tó Brandileone.

Vocês ainda vão ouvir falar muito nessa mulher! Como compositora, tem parcerias e “aprochegos” sinceros com os tropicalistas Capinan e nesse momento, pro seu novo trabalho, com Tom Zé.

Além disso, a jovem Caru está produzindo seu primeiro documentário, junto ao seu irmão Nelson Oliveira, sobre a vida e obra do Tio-avô Fernando Santos, o primeiro professor de percussão da UFBA.

Espero poder entrevistar essa galera linda em breve! Também tô voltando e cheia de saudades. 

Ficha técnica

Produção musical: Gabriel Ventura

Arranjos: Canto Cego

Vocal: Caru e Roberta Dittz

Mix e master: Bruno Giorgi

Selo: Olga Music

Distribuição: Believe Music Brasil

Produção: Luiza Castro

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Acompanhe a Canto Cego: https://www.instagram.com/cantocego.

Mais sobre Caru aqui: https://www.instagram.com/caru_____.

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